Crédito habitação: Vale a pena mudar para taxa mista ou taxa fixa?

Depois de um período de descida das taxas de juro, o crédito habitação voltou a ficar mais caro em 2026, sobretudo para quem tem contratos com taxa variável. Impulsionada pelo aumento das taxas de juro, devido ao conflito no Médio Oriente, a Euribor iniciou uma subida no início do ano, que tem pressionado as prestações da casa. Num crédito de 200 mil euros, por exemplo, a prestação pode aumentar várias dezenas de euros na próxima revisão.

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Perante este cenário, quem tem um contrato com taxa variável pode ponderar mudar para taxa mista ou fixa, em nome de maior previsibilidade. Esta tem sido, aliás, a escolha de muitos portugueses. No mês de julho, nos novos contratos e renegociações, a taxa mista atingiu o valor mais alto de sempre, com 85% do total de créditos. Já a taxa fixa mantém os valores historicamente baixos, em torno dos 2,5%.

Mas prescindir da taxa variável não significa, necessariamente, pagar menos. A mudança pode reduzir a prestação, mantê-la próxima do valor atual ou aumentá-la, dependendo das condições propostas. Por isso mesmo, neste artigo, mostramos o que deve analisar antes de mudar e quanto poderia pagar em cada modalidade.

Euribor acima dos 3% agrava prestações de crédito com taxa variável

A subida da Euribor tem impacto direto nos créditos habitação com taxa variável, uma vez que o valor das prestações é revisto com base na evolução deste indexante. Quando a Euribor sobe, a prestação aumenta, quando desce, a prestação diminui.

No mês de setembro, a Euribor a 12 meses atingiu o valor mais elevado desde junho de 2024 – 3,257% -, enquanto a Euribor a 6 meses, a mais usada atualmente, ficou mais próxima da barreira dos 3% – 2,881%. A Euribor a 3 meses também tem vindo a subir, embora permaneça abaixo desse valor.

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Os valores do indexante – a que acresce o spread – vão refletir-se não só nos novos créditos habitação com taxa variável, mas também naqueles cujas prestações vão ser revistas nos próximos meses.

Valor da prestação não aumenta da mesma forma em todos os contratos

A subida da Euribor não se traduz num aumento igual para todos os contratos, nem ocorre ao mesmo tempo. O seu efeito depende do prazo do indexante – 3, 6 ou 12 meses -, do capital em dívida, do tempo que falta para terminar o empréstimo e do spread.

Para perceber qual será o impacto numa determinada prestação, é preciso saber quando esta será revista. Em regra, a prestação é calculada com base na média da Euribor de dois meses antes. Assim, uma prestação paga em novembro tem como referência a média de setembro. A tabela seguinte mostra a evolução da Euribor considerada nas revisões que ocorrerão em outubro, para pagamento em novembro:

Última revisão

Revisão em outubro (média setembro de 2026)

Variação

Euribor 3 meses

2,339% (média de junho 2026)

2,636%

+ 0,297 p.p.

Euribor 6 meses

2,322% (média de março 2026)

2,881%

+ 0,559 p.p.

Euribor 12 meses

2,172% (média de setembro 2025)

3,257%

+ 1,085 p.p.

Ou seja, o impacto da subida atual da Euribor será diferente consoante o prazo do indexante. Num contrato com Euribor a 3 meses, a última revisão ocorreu em agosto (com a média de junho); com Euribor a 6 meses, em maio (média de março); e, no caso da Euribor a 12 meses, a revisão anterior aconteceu há um ano.

É neste último caso que a diferença face ao valor atual é maior, uma vez que a prestação passa a refletir uma taxa que está bastante acima da que foi considerada na última revisão. Num crédito de 200 mil euros, esta diferença pode traduzir-se num aumento da prestação de várias dezenas de euros, como veremos mais à frente.

Quais as diferenças entre taxa variável, fixa e mista?

A evolução recente da Euribor mostra como os contratos com taxa variável estão expostos à oscilação das taxas de juro. Nas modalidades mista e fixa, essa exposição é menor ou inexistente (no caso da segunda). Veja o que distingue as diferentes modalidades:

Taxa variável: Resulta da soma da Euribor e do spread. A prestação pode aumentar ou diminuir à medida que o indexante varia, nas datas de revisão previstas no contrato;

Taxa fixa: A taxa de juro mantém-se inalterada durante todo o período do contrato. A prestação fica, assim, protegida das oscilações das taxas de juro, mas a taxa é normalmente mais elevada do que num contrato com taxa variável;

Taxa mista: Combina as duas modalidades. O crédito começa com um período de taxa fixa – normalmente de 1, 2 ou 5 anos, podendo ser superior – e depois passa para uma taxa variável. Desta forma, permite ter uma prestação previsível durante os primeiros anos, embora fique exposta à Euribor quando o período com taxa fixa termina.

A principal diferença está na forma como cada modalidade reage à evolução das taxas de juro. Veja, em resumo, o que pode esperar de cada uma:

Taxa variável

Taxa fixa

Taxa mista

A prestação muda?

Sim

Não

Sim, após o período fixo

Exposição à Euribor

Durante todo o contrato

Não tem

Sim, depois do período fixo

Previsibilidade da prestação

Menor

Maior

Maior durante o período fixo

Pode beneficiar de uma descida da Euribor?

Sim

Não

Sim, depois de terminar o período fixo

Taxa variável, mista ou fixa: Quanto pode pagar?

Num cenário de subida dos juros, quem tem um crédito com taxa variável fica mais exposto a uma eventual subida da prestação. Uma das formas de reduzir esta incerteza passa por mudar a modalidade da taxa, optando por uma solução fixa ou mista. A melhor forma de perceber o impacto desta mudança é comparar as prestações com as mesmas condições de crédito.

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